Programação incluiu atendimentos especializados, exames, rodas de conversa sobre saúde mental e atividades de valorização cultural na Aldeia Karidade.
Por Luana Tarairiú
A 8ª Ação de Saúde no Território Indígena Cobra Grande aconteceu entre os dias 10 e 13 de julho, na Casa de Apoio à Saúde Cacique Clodovaldo Tapajós, localizada na Aldeia Karidade. A iniciativa reuniu atendimentos em diferentes áreas da saúde e oficinas voltadas ao bem-estar e à valorização dos saberes tradicionais.
A edição deste ano marcou a inauguração da Casa de Apoio à Saúde Cacique Clodovaldo Tapajós. O espaço funciona na antiga residência do cacique falecido em 2024, que foi transformada em um ponto permanente de atendimento ao território onde vivem os povos Tapajó, Arapiun e Jaraqui. Além dos povos do território, a ação contemplou os povos Curuai e Tapuia da Vila Ajamuri.
Durante os quatro dias de programação, os participantes tiveram acesso a consultas médicas, de enfermagem, psicológicas e ginecológicas, incluindo exames de ultrassonografia e Exame Preventivo do Colo do Útero ou Papanicolau (PCCU). Também foram oferecidos curativos, testes rápidos para HIV, sífilis e hepatites B e C, aferição da pressão arterial, medição da glicemia capilar e pequenos procedimentos, como retirada de lesões de pele, drenagem de abscessos e administração de medicamentos.
“Este ano eles vieram para a Aldeia Karidade, que é o ponto de apoio da saúde do território”.
A programação incluiu ainda uma roda de conversa sobre saúde mental voltada às mulheres do território indígena, além de atendimento de assistência social para orientação sobre acesso a políticas públicas.
Além dos serviços de saúde, a ação promoveu oficinas de embelezamento feminino, produção de panelas de argila e de miçangas. Outro destaque, segundo Wilses Tapajós, foi um maior espaço de tempo na programação para falar sobre a medicina tradicional indígena.
“Nos rituais, a gente fala da medicina tradicional, a gente informa sobre a importância da medicina aqui da terra, do que vem da terra, o que trata o corpo com tudo que nós temos aqui na terra. Nós utilizamos mais tempo e queremos utilizar mais tempo para essas questões, que é a medicina tradicional indígena, cuidando do nosso legado ancestral, assim como espiritual, que é parte de nossa cosmologia”.
A ação contou com mais de 20 profissionais, incluindo médicos, enfermeiros, psicólogos, assistentes sociais, entre outros, que, segundo Wilses Tapajó, em sua maioria, são da Aldeia Karidade: “estudaram e retornam para contribuir com seu território indígena”, disse a liderança.