Análise encontrou coliformes e Escherichia coli na água da escola da aldeia Kurehê; governo iniciou implantação de novo poço e estudantes estão sem aulas
A água que abastece a escola da aldeia Kurehê, do povo Karajá Xambioá, em Santa Fé do Araguaia, no norte do Tocantins, foi considerada imprópria para consumo humano após uma análise identificar a presença de coliformes e da bactéria Escherichia coli. A amostra, coletada em uma torneira da escola, também não apresentou cloro. Diante do resultado, os estudantes deixaram de frequentar as aulas enquanto uma solução para o abastecimento não é apresentada.
A análise foi solicitada pela Vigilância Sanitária de Santa Fé do Araguaia, que orientou a escola a implantar um sistema de tratamento da água, além de realizar a limpeza e a higienização do reservatório. O órgão também recomendou o isolamento do sistema de captação do poço e estabeleceu que a estrutura deve ficar a pelo menos 15 metros de fossas, sumidouros e outras possíveis fontes de contaminação.
Segundo o cacique Teovaldo Moreira Karajá, cerca de 50 pessoas vivem na aldeia e o problema no abastecimento é antigo. Ele afirma que o poço utilizado pela comunidade foi construído há anos e deixou de receber manutenção adequada.
A Secretaria de Estado da Saúde do Tocantins (SES-TO) orientou que, até que novas análises confirmem a qualidade da água, seja disponibilizada uma fonte segura para consumo e preparo de alimentos. A pasta informou que acompanha a situação. A Secretaria de Estado da Educação (Seduc) iniciou a implantação de um novo poço artesiano para atender a escola. Durante a execução do serviço, os estudantes receberão água mineral.
O Distrito Sanitário Especial Indígena (DSEI) Tocantins informou que a aldeia é abastecida por um poço artesiano e que distribui aos moradores solução de hipoclorito de sódio a 2,5% e filtros de barro. Segundo o órgão, Agentes Indígenas de Saneamento orientam os moradores sobre os cuidados com a água. O DSEI afirmou ainda que, até o momento, não foram identificados registros de agravos à saúde relacionados à qualidade da água.
A prefeita de Santa Fé do Araguaia, Vicença Lino (União), afirmou que o município possui cinco comunidades indígenas e que precisa do apoio de outros órgãos para atender às demandas das aldeias. A presença de coliformes e Escherichia coli na amostra levou a Vigilância Sanitária a recomendar medidas para interromper possíveis fontes de contaminação e garantir o tratamento da água. Enquanto o novo sistema de abastecimento não é concluído e os resultados de novas análises não confirmam a potabilidade, a orientação da Secretaria de Estado da Saúde é utilizar uma fonte segura para consumo e preparo de alimentos.
Reprodução: G1 (TO)