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Bebê indígena Warao morre por desnutrição em MG

Menina de um ano e quatro meses vivia com a família em uma comunidade Warao em Betim, na Grande Belo Horizonte; autoridades investigam o caso e lideranças cobram melhorias no acesso à saúde e à alimentação

A morte de uma bebê indígena da etnia Warao, de um ano e quatro meses, em Betim, na Região Metropolitana de Belo Horizonte (MG), voltou a acender o alerta sobre as condições de vida enfrentadas por povos indígenas migrantes e refugiados no Brasil. A criança morreu após dar entrada em uma unidade de saúde com um quadro grave de desnutrição e desidratação.

A família da menina vive em uma ocupação no município mineiro junto a cerca de 70 famílias Warao refugiadas da Venezuela. Segundo denúncias relatadas por lideranças e apoiadores da comunidade à imprensa local, a população enfrenta dificuldades relacionadas ao acesso à saúde, à alimentação e ao acompanhamento social contínuo.

O caso ganhou repercussão após a divulgação de informações indicando que a criança teria permanecido dias sem conseguir se alimentar adequadamente antes de ser levada para atendimento médico. Quando chegou ao hospital, já apresentava um quadro considerado grave. A situação está sendo acompanhada por órgãos públicos e deve ser investigada pelas autoridades responsáveis.

Os Warao são um povo indígena originário da região do Delta do Orinoco, na Venezuela. Nos últimos anos, milhares de indígenas da etnia migraram para diferentes regiões do Brasil em consequência da crise econômica, política e humanitária enfrentada pelo país vizinho. Muitas dessas famílias vivem em abrigos, ocupações urbanas ou espaços improvisados, frequentemente marcados pela precariedade e pela dificuldade de acesso a políticas públicas.

A situação da comunidade Warao em Minas Gerais já vinha sendo motivo de preocupação. Em janeiro deste ano, outro bebê da mesma comunidade morreu após complicações causadas por uma síndrome respiratória aguda grave. Na ocasião, autoridades de saúde e representantes da comunidade apontaram desafios relacionados ao atendimento médico, à vacinação e à construção de vínculos entre os serviços públicos e a população indígena migrante.

Organizações de direitos humanos, pesquisadores e entidades que acompanham povos indígenas migrantes têm alertado que a vulnerabilidade dessas comunidades está diretamente ligada à ausência de políticas estruturadas de acolhimento, moradia, segurança alimentar e atenção diferenciada à saúde. A realidade enfrentada pelos Warao evidencia os impactos do deslocamento forçado sobre mulheres, crianças e idosos indígenas, que acabam expostos a situações de risco social e sanitário.

A morte da criança ocorre em um contexto mais amplo de preocupação com a saúde indígena no país. Casos recentes registrados em diferentes territórios têm levado lideranças e organizações a cobrarem maior presença do Estado, ampliação das equipes de saúde e fortalecimento das políticas públicas voltadas à proteção da infância indígena.

Enquanto a comunidade Warao busca respostas para mais uma perda, o caso reforça a necessidade de medidas urgentes para garantir o direito à vida, à alimentação adequada e ao acesso à saúde para povos indígenas em situação de migração e refúgio no Brasil..

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