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Primeiro indígena do cinema brasileiro, Macsuara Kadiwéu participa de clipe de Anitta e relembra trajetória: ‘A natureza me induziu para essa arte’

Aos 62 anos, Macsuara Kadiwéu interpreta o Pai da Mata no vídeo da música ‘Okê’. Em entrevista ao Mídia Indígena, o artista relembrou momentos da carreira e refletiu sobre novas oportunidades para jovens indígenas.

Por Luana Tarairiú

O ator Macsuara Kadiwéu, de 62 anos, reconhecido como o primeiro indígena a atuar no cinema brasileiro, participou do clipe de “Okê”, da cantora Anitta. A música também traz as participações dos artistas indígenas Katumirim e do grupo Brô MC’s.

Ao relembrar o início da trajetória profissional, o ator diz que foi levado à atuação de forma instintiva. “A natureza me induziu para essa arte, a sétima arte”, afirma.

Nascido em Aquidauana, em Mato Grosso do Sul, e pertencente aos povos Terena e Kadiwéu, Macsuara teve o primeiro contato com o audiovisual na década de 1980. Na época, ele trabalhava na Rádio Tupi, no Rio de Janeiro.

“Eu lembro daquela música ‘entrei de gaiato no navio’, porque eu não entendia muito bem de cinema. Por coincidência, eu estava trabalhando na Rádio Tupi e lá passavam vários cantores e atores, e fui conhecendo”, conta.

O primeiro papel veio em 1984, no filme “Quilombo”, dirigido por Cacá Diegues. No ano seguinte, participou como figurante no longa internacional “A Floresta de Esmeraldas”, do diretor John Boorman.

Ainda em 1985, o ator assumiu o primeiro papel principal a convite de Zelito Viana, no filme “Avaeté – Semente da Vingança”. A interpretação do personagem Ava rendeu a Macsuara reconhecimento internacional, com prêmios nos festivais de cinema de Moscou e de Cannes.

Além do cinema, o ator participou de várias produções na televisão, como “A Muralha” e “Sítio do Picapau Amarelo”. O trabalho mais recente foi na novela “Renascer”, na qual viveu o personagem Chico das Mortes.

Participação no clipe de “Okê”

Macsuara interpreta o Pai da Mata no clipe de “Okê”, música que faz parte do projeto “Equilibrium II”, de Anitta. Sobre a parceria, o ator relembra a conversa que teve com a cantora antes da gravação.

Ele conta que hesitou inicialmente devido à idade e à falta de intimidade com a dança e a música. “Eu falei: ‘Anitta, cantar não sei, dançar não sei, tocar não sei, eu tô idoso para dançar’. Ela falou: ‘é aí que o seu espírito entra’”, relata.

A preparação para o clipe incluiu a prática de meditação para construir o personagem. “A preparadora falou: ‘medita, eu vou te falando, vai meditando que vai saindo’. É auditivo, não é visual”, diz.

“Cara, eu deitei no chão, no carpete, eu falei: ‘manda bala’. Aí, eu falei: ‘ó, sai da sala, que eu quero ficar quieto, e você volta daqui a uns 20 minutos’, e aí eu consegui”, relembra.

Indígenas na mídia ontem e hoje

Com décadas de experiência, Macsuara reflete sobre as diferenças entre a própria geração e os jovens talentos indígenas. Ele destaca a importância da formação educacional, algo a que não teve acesso no início da carreira.

“Vocês têm oportunidade acadêmica, e eu não tive oportunidade acadêmica, eu não tenho estudo”, afirma.

O pioneiro do cinema faz questão de incentivar novos artistas, como a atriz Mel Muzzillo, com quem trabalhou em “Renascer”.

“Agora vocês, assim como falei para a Mel, que faz a minha filha: ‘Mel, tem oportunidade, você entra na aula de teatro, de leitura, porque você tem futuro'”, conta.

“Eu falo para a galera: hoje já tem advogado, dentista, tem médico, tem juiz, tem antropólogo, tem vários segmentos assim no lado acadêmico, que eu não tive oportunidade. Agora, no lado artístico, como tem roteirista, escritores, designer”, conclui.

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