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Governador de SC hostiliza lideranças Xokleng durante visita à Barragem Norte e rejeita diálogo sobre reparação ao povo indígena 

Jorginho Melo (PL) manda mulheres indígenas  “irem para a puta que pariu” e “para o inferno” durante discussão em território Laklãnõ-Xokleng, marcado por décadas de violações de direitos. 

O governador de Santa Catarina, Jorginho Mello (PL), protagonizou um episódio de hostilidade contra lideranças do povo Xokleng nesta terça-feira (8), durante visita à Barragem Norte, instalada dentro da Terra Indígena Ibirama-Laklãnõ, no município de José Boiteux (SC). 

Enquanto acompanhava as obras de recuperação da estrutura, construída durante a ditadura militar sobre o território tradicional sem consulta ao povo indígena, o governado hostilizou lideranças indígenas que tentaram um o diálogo com ele e passou a responder com ofensas. Em vídeo gravado no local, Jorginho Mello diz “vai para a puta que te pariu” e, na sequência da discussão, também afirma “vai para o inferno” ao ser questionado sobre reivindicações da comunidade. 

Durante a tentativa de diálogo, uma liderança pede respeito ao governador e lembra que a barragem está localizada em terra indígena e em área pertencente à União. Em vez de responder às reivindicações, Jorginho Mello afirma que “não tem tempo” para discutir o tema, diz que o assunto pode ser tratado em outro momento e orienta que as lideranças recorram ao Supremo Tribunal Federal. 

As declarações ocorreram diante de representantes da comunidade que tentavam apresentar demandas relacionadas aos impactos sociais, territoriais e ambientais provocados pela barragem. Em diversos momentos, as lideranças buscam retomar o diálogo, mas são interrompidas pelo governador.

A Barragem Norte é um dos principais símbolos da violência histórica sofrida pelo povo Laklãnõ-Xokleng. Construída na década de 1970 sem consulta prévia, livre e informada, direito hoje garantido pela Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), a obra alterou o território tradicional, provocou impactos ambientais permanentes e deu origem a uma longa disputa por reparação e compensações.

Nos últimos anos, o Estado de Santa Catarina anunciou obras de recuperação da barragem e medidas compensatórias para a comunidade. As lideranças indígenas, no entanto, afirmam que parte dos compromissos assumidos ainda depende de providências administrativas e jurídicas, além da efetiva participação do povo Laklãnõ-Xokleng nas decisões que afetam seu território.

Barragem Norte, em José Boiteux — Foto: Mauricio Vieira/Secom/Divulgação

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