O lançamento do produto aconteceu no último dia 24, na Aldeia Tuxá, em Ibotirama (BA).
A cantora e compositora Beatriz Tuxá lançou seu primeiro álbum, Moleira Fechada, trabalho que reúne nove faixas inspiradas em memórias familiares, saberes tradicionais e experiências vividas na Aldeia Tuxá, em Ibotirama, no oeste da Bahia. O disco foi apresentado ao público no último dia 24 de maio, durante um show realizado na comunidade.
O título do álbum vem de uma das canções do repertório. Segundo a artista, a expressão está associada a práticas de cuidado transmitidas entre gerações.“A ideia de Moleira Fechada é essa coisa mesmo do cuidado, de corpo fechado. Eu me lembrava de quando uma criança nasce e existe todo um resguardo. Não pode jogar para cima, não pode mexer muito. Tem que esperar aquela mulher se fechar, porque a criança ainda está se fortalecendo. É uma coisa de cuidado, de afeto, de corpo resguardado”, conta.

As referências presentes na faixa-título aparecem ao longo de todo o disco. Beatriz aborda elementos ligados ao território, à espiritualidade e aos conhecimentos compartilhados dentro da comunidade.
“A música fala de algumas coisas que mainha fazia. Cortar o cabelo na lua cheia para ele ficar mais cheio, cortar na lua crescente para crescer mais rápido, colocar no pé da bananeira. São práticas culturais que fazem parte da nossa vivência”, detalha.
O álbum também conta com a participação de integrantes da Aldeia Tuxá. Quatro moradores da comunidade participaram das gravações realizadas em estúdio. Para a cantora, a presença deles foi decisiva na construção de algumas faixas. “Vieram quatro pessoas da aldeia para gravar comigo no estúdio. Acho importante destacar isso porque elas deram peso e força para algumas canções de uma forma que eu jamais conseguiria sozinha”.
Além das participações da comunidade, o disco reúne colaborações com artistas indígenas de outros povos. Akuã Pataxó participa da composição e da gravação de Pele Pintada de Futuro, enquanto Karuana Tuxá está presente na faixa Moleira Fechada.
Embora mantenha temas recorrentes de sua produção, Beatriz afirma que o trabalho incorpora novas referências musicais. “Eu estava receosa porque estou chegando agora com referências um pouco diferentes das que costumava trabalhar. Continuo mantendo minha identidade e a minha autenticidade, principalmente nas letras que escrevo, mas trouxe novas sonoridades”.
Entre essas referências estão elementos do groove, do rap e do pagodão baiano, combinados a cantos indígenas e às experiências da artista no território Tuxá. O lançamento marca a chegada das primeiras músicas de Beatriz Tuxá às plataformas digitais. A cantora afirma que vê o álbum como parte de um movimento de ampliação das narrativas indígenas na música brasileira. “A ideia com esse lançamento é fortalecer as nossas narrativas, continuar dando voz a quem, por muito tempo, foi silenciado. É falar das nossas histórias narradas por nós mesmos.”
Após o lançamento na aldeia, a artista pretende ampliar a circulação do trabalho para além da Bahia. “Tenho cantado bastante aqui no estado, e isso é muito bom. Mas quero estar em outros palcos, em outros lugares. Costumo dizer que meu canto é um grito de aldeia correndo nas minhas veias.”



