Por Hony Sobrinho | Mídia Indígena
Lançado neste 30 de abril, o clipe de “Choka Choka”, nova música de Anitta em parceria com Shakira, integra o álbum Equilíbrio e apresenta uma construção visual que combina diferentes linguagens e narrativas, entre elas, referências aos povos indígenas e à relação entre cultura, território e natureza.
No audiovisual, essas referências aparecem como uma das camadas simbólicas da obra. O clipe incorpora trechos que dialogam com a luta do povo Kuikuro, no Parque Indígena do Xingu, trazendo elementos que remetem às suas práticas culturais e à defesa dos territórios, representadas por lideranças indígenas da região. Há também uma homenagem ao cacique Raoni, uma das principais lideranças indígenas do mundo, com a indicação do site do Instituto Raoni ao final do vídeo, ampliando o alcance de sua trajetória e de sua luta histórica.
Outro destaque está na estética. Anitta utiliza uma saia de tucum e de peixes criada pelo Sioduhi Studio, assinada por estilista indígena do povo Waíkahna (Piratapuya), do Alto Rio Negro, Amazonas. A peça carrega saberes ancestrais e uma conexão direta com a floresta e os rios, reforçando o figurino como linguagem cultural e política dentro do clipe.
O vídeo também conta com a participação de Kena Marubo e de Emília Maya Marubo, jovens indígenas do povo Marubo, da Amazônia brasileira, ampliando a representatividade de diferentes territórios e povos na composição visual da obra.
Esses elementos dialogam com a própria proposta do álbum Equilíbrio, ao apontar para a necessidade de reconexão entre humanidade e natureza, tema central em um contexto global de crise climática.
Para além do lançamento, o clipe também se conecta a um percurso que Anitta vem construindo nos últimos anos de aproximação e apoio aos povos indígenas no Brasil. Nos últimos dois anos, a artista tem participado de diferentes iniciativas ao lado da rede de comunicadores da Mídia Indígena, da qual se tornou madrinha em diversas ações.
Entre elas, destaca-se a campanha “Brasil Indígena: Terra Demarcada”, que reuniu artistas e comunicadores para ampliar o entendimento público sobre a importância da demarcação de terras indígenas e da proteção dos territórios. A artista também levou essa pauta a espaços de grande alcance, como sua participação no Domingão com Huck, quando esteve no território do povo Kuikuro, no Xingu, durante o Kuarup, uma das principais cerimônias espirituais da região.

No cenário internacional, Anitta também tem contribuído para ampliar essa visibilidade. Um dos momentos mais simbólicos foi sua participação ao lado do cacique Raoni Metuktire em encontro com o rei Charles III, na Inglaterra, reforçando a dimensão global da pauta indígena e ambiental. Em Belém, durante o Global Citizen Festival, a artista subiu ao palco acompanhada por familiares de Raoni, fortalecendo essa conexão entre cultura, ativismo e visibilidade internacional.
Além disso, a artista esteve no mesmo território no Xingu, aprofundando sua relação com o povo Kuikuro a partir da presença e da escuta, um caminho que se reflete agora também no campo simbólico de suas produções.
Esse percurso ajuda a compreender o lugar dessas referências em “Choka Choka”. Não se trata do tema central do clipe, mas de elementos que ampliam seu significado e apontam para uma direção: reconhecer que os povos indígenas não são parte do passado, mas protagonistas de futuros possíveis.
Em um momento de crise climática e de disputas sobre os territórios, essa mensagem se torna ainda mais urgente. O equilíbrio que o mundo busca já existe, e passa, necessariamente, pelos modos de vida e pelos saberes dos povos indígenas.