Vistoria encontrou danos no telhado, problemas na rede elétrica, falta de água tratada e ausência de biblioteca, laboratório e refeitório
A Escola Estadual da Vila Betânia, em Santo Antônio do Içá, no Amazonas, atende mais de 600 estudantes do ensino médio e enfrenta problemas estruturais e de funcionamento. Uma vistoria realizada pelo Ministério Público Federal (MPF) durante visita ao município identificou danos no telhado, fiação elétrica comprometida, banheiros sem condições adequadas de uso e falta de refeitório.
A unidade também não possui biblioteca, salas de informática ou laboratórios. Durante o período de chuvas, os estudantes precisam ocupar os corredores da escola, segundo relatos apresentados à equipe durante a visita. A falta recorrente de água tratada também interfere no funcionamento das aulas. De acordo com as informações levantadas pelo MPF, a interrupção no abastecimento impede a preparação da merenda escolar e pode levar à suspensão das atividades. A vistoria apontou ainda problemas relacionados ao quadro de funcionários e ao fornecimento de materiais. A escola tem poucos servidores estaduais efetivos e depende de trabalhadores cedidos pela prefeitura. Também foram relatadas interrupções na entrega de livros e alimentos.
As condições da escola foram apresentadas durante uma agenda de três dias do MPF em comunidades indígenas de Santo Antônio do Içá. Na Vila Betânia, uma das maiores aldeias da região, mais de 40 lideranças indígenas participaram de uma reunião com a equipe e apresentaram demandas relacionadas principalmente à educação, saúde e infraestrutura.
Entre as reivindicações está a participação da comunidade na escolha da direção da escola e a produção de materiais didáticos e pedagógicos adaptados à língua Ticuna.Após as visitas, o MPF informou que vai consolidar os registros e documentos coletados para orientar a abertura de procedimentos administrativos e jurídicos. A instituição também realizou reuniões com autoridades municipais, Funai, DSEI Alto Rio Solimões, órgãos de segurança e instituições do sistema de Justiça para discutir os problemas identificados.