Decisão da Justiça Federal em Roraima atinge quatro empresas investigadas por participação em cadeia de extração e comercialização de cassiterita e ouro
A White Solder Metalurgia e Mineração Ltda. teve bens, direitos e valores bloqueados pela Justiça Federal em Roraima, em decisão que pode alcançar R$ 108,4 milhões. A empresa é acusada de integrar uma cadeia clandestina de extração, transporte e comercialização de cassiterita e ouro retirados da região do Pupunha, dentro da Terra Indígena Yanomami (RR). Ao todo, os bloqueios determinados contra quatro empresas podem chegar a R$ 146 milhões, a pedido do Ministério Público Federal (MPF).
Segundo a ação, o minério seria extraído ilegalmente da Terra Indígena Yanomami e transportado por aeronaves a partir de pistas de pouso não autorizadas. A produção seria posteriormente registrada como se tivesse origem em cooperados e, em seguida, a cassiterita seria adquirida pela White Solder, responsável pela transformação do material em lingotes de estanho. As acusações são objeto de ação civil pública baseada na Lei Anticorrupção e decorrem da Operação Forja de Hefesto.
Além da White Solder, a decisão envolve a Cooperativa de Produtores de Estanho do Brasil (Coopertin), com bloqueio de até R$ 31,8 milhões, a Cataratas Poços Artesianos, com limite de R$ 5,4 milhões, e a TARP Táxi Aéreo, que pode ter até R$ 360 mil bloqueados. No caso da Coopertin, o valor inclui um imóvel da cooperativa.
Para determinar os bloqueios, o juízo considerou elementos apresentados no processo, entre eles movimentações financeiras de grande volume, divergências entre os volumes declarados de cassiterita, documentos apreendidos e informações de inteligência. Segundo a ação, os dados apontariam, em tese, para uma possível articulação entre diferentes etapas da cadeia de mineração, desde a extração até o transporte, registro e fundição do minério.
A Justiça também determinou que a Receita Federal encaminhe, sob sigilo, informações sobre o faturamento das quatro empresas entre 2021 e 2025. Os dados serão utilizados para auxiliar no cálculo das eventuais sanções e podem levar à revisão dos valores bloqueados. As empresas ainda serão intimadas e poderão apresentar defesa no processo.
Além do bloqueio patrimonial, o MPF pediu a suspensão das atividades das empresas e a proibição de recebimento de incentivos públicos. Esses pedidos ainda serão analisados pela Justiça. Os mesmos fatos também são objeto de uma ação penal em andamento na Justiça Federal. A ação civil pública é de responsabilidade do 2º Ofício da Amazônia Ocidental, unidade especializada no enfrentamento à mineração ilegal nos estados do Amazonas, Acre, Roraima e Rondônia. O processo tramita sob o número 1011028-79.2026.4.01.4200.