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‘Não queremos ser apenas objeto de pesquisa’, diz Capitão Potiguara ao receber título de doutor honoris causa da UFPB

Liderança indígena da Paraíba foi homenageada pela universidade nesta sexta-feira (7), em João Pessoa, por sua trajetória na defesa da educação, dos direitos dos povos originários e da presença indígena no ambiente acadêmico.

Por Luana Tarairiú

A liderança indígena da Paraíba Capitão Potiguara recebeu o título de Doutor Honoris Causa pela Universidade Federal da Paraíba (UFPB). A cerimônia foi realizada no campus I, em João Pessoa. Ao Mídia Indígena, ele afirmou que o reconhecimento representa também a valorização de uma luta histórica pela ocupação dos espaços de conhecimento pelos povos originários.

“Quando um estudante indígena entra na universidade, quando um professor indígena ocupa uma sala de aula, quando a história indígena é estudada com respeito, estamos ajudando a construir uma sociedade diferente, porque nós não queremos ser apenas objeto de pesquisa. Nós queremos ser sujeitos da nossa própria história”, disse.

Segundo Capitão Potiguara, a educação é uma ferramenta fundamental para a autonomia dos povos indígenas. Para ele, a entrada de indígenas nas universidades vai além da conquista de um diploma e representa uma forma de fortalecer as comunidades tradicionais.

“A educação é uma ferramenta muito importante para a nossa autonomia. Quando um indígena entra na universidade, ele não está apenas buscando um diploma. Ele está buscando conhecimento para voltar para o seu povo e fortalecer a sua comunidade”, afirmou.

Trajetória na UFPB e no movimento indígena

Natural da Aldeia São Francisco, em Baía da Traição, na Paraíba, José Ciríaco Sobrinho, conhecido como Capitão Potiguara, tem 69 anos e começou a atuar na UFPB no fim da década de 1970, como auxiliar de serviços gerais terceirizado no Campus I e, posteriormente, tornou-se servidor público federal da instituição.

Ao longo de décadas de atuação, contribuiu para a inclusão da pauta indígena no ensino, na pesquisa e nas políticas de permanência estudantil. Entre seus principais legados está a criação do Grupo de Trabalho Indígena (GT Indígena), iniciativa que ampliou a visibilidade das questões indígenas dentro da universidade e ajudou na formação de novos pesquisadores.

O líder também teve participação na interiorização da UFPB, contribuindo para a criação do Campus IV, em Rio Tinto, e para a implantação de cursos voltados às realidades regionais, como o de Antropologia.

No movimento indígena, Capitão Potiguara participou de processos de regularização de terras indígenas e integra organizações como a Articulação dos Povos e Organizações Indígenas do Nordeste, Minas Gerais e Espírito Santo (Apoinme).

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