Áudios enviados a indígenas do povo Parakanã mencionam uma possível ocupação da Terra Indígena Apyterewa, no Pará, no dia do segundo turno.
Indígenas do povo Parakanã, que vivem na Terra Indígena Apyterewa, em São Félix do Xingu, no Pará, receberam áudios com ameaças de invasão ao território caso o senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) vença as eleições de 2026. A informação foi divulgada nesta segunda-feira (12) em uma apuração da Folha de S.Paulo.
De acordo com a reportagem, oito áudios enviados por WhatsApp mencionam uma possível invasão da área no dia 25 de outubro, data prevista para o segundo turno das eleições presidenciais. As mensagens indicam que fazendeiros estariam aguardando o resultado da votação para ocupar o território e instalar fazendas na região.
Segundo a Folha, as ameaças também fazem referência à expectativa de que uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro, junto à eleição de Dr. Daniel (Podemos) para o governo do Pará, favoreça a transferência de terras indígenas para pecuaristas. A campanha do candidato à Presidência e representantes do governo estadual foram procurados pelo jornal, mas não haviam se manifestado até a publicação da reportagem.
MPI acompanha o caso
O Ministério dos Povos Indígenas (MPI) informou que a Terra Indígena Apyterewa foi pauta de uma reunião realizada na quinta-feira (8) pelo Comitê Interministerial de Desintrusão de Terras Indígenas (CIDTI), diante do aumento da pressão para a ocupação ilegal da área.
Segundo o ministério, entre julho e agosto foi realizada uma operação conjunta do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) e da Força Nacional de Segurança Pública (FNSP), com articulação e acompanhamento do MPI. A ação teve como objetivos retirar gado ilegal do território e combater crimes ambientais.
A operação integra as medidas de proteção e vigilância já realizadas na região. A Funai mantém presença contínua na terra indígena, com apoio da Força Nacional, para dar continuidade às ações adotadas após a desintrusão realizada em 2023. A medida buscou assegurar ao povo Parakanã o usufruto exclusivo do território, conforme os direitos garantidos pela Constituição Federal.
Durante a reunião do comitê, foi deliberado o reforço das ações de segurança, incluindo o aumento do efetivo mobilizado. A medida busca manter a desintrusão e prevenir novas ocupações ilegais.
Em relação às mensagens que associam as eleições de 2026 a uma possível invasão do território, o MPI afirmou que a apuração dos fatos cabe às autoridades policiais responsáveis pela investigação. O ministério ressaltou que, neste momento, não é possível antecipar informações ou conclusões sobre o conteúdo dos áudios nem sobre as eventuais responsabilidades envolvidas.
Histórico de violência
A Terra Indígena Apyterewa, homologada em 2007, abriga mais de mil indígenas de recente contato. Essa condição aumenta a vulnerabilidade da comunidade diante de ameaças, invasões e conflitos territoriais.
A região tem um histórico de ocupações ilegais, desmatamento e violência. Durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), a área registrou forte pressão ambiental, e pecuaristas chegaram a construir uma estrutura de ocupação conhecida como Vila Renascer dentro do território protegido.
Além das ameaças, autoridades também apuram a possibilidade de incêndios florestais na região terem sido provocados intencionalmente. A ocorrência de novos focos de tensão e movimentações suspeitas aumenta a preocupação com a segurança dos indígenas e a integridade do território.