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Senado debate impactos da mineração em terras indígenas e possível regulamentação; organizações indígenas alertam riscos

Audiência pública reuniu parlamentares, lideranças indígenas e especialistas para discutir possíveis regras para exploração mineral em territórios tradicionais, tema que reacende alertas sobre impactos ambientais, culturais e territoriais.

A possibilidade de regulamentação da mineração em terras indígenas voltou ao centro do debate político no Brasil durante audiência pública realizada hoje, no Senado Federal. A discussão reuniu parlamentares, lideranças indígenas e representantes de órgãos públicos e reacendeu preocupações sobre os impactos sociais, culturais e ambientais que a exploração mineral pode provocar nos territórios tradicionais.

A audiência foi organizada pelo Grupo de Trabalho sobre Regulamentação da Mineração em Terras Indígenas, colegiado criado pelo Senado para elaborar uma proposta de legislação sobre o tema. O grupo é presidido pela senadora Tereza Cristina (PP-MS) e tem como relator o senador Rogério Carvalho (PT-SE).  

Entre os participantes da sessão estiveram o líder geral do povo Cinta Larga, Gilmar Cinta Larga, representantes da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib), da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), da Advocacia-Geral da União, do Ministério Público Federal, da Agência Nacional de Mineração e do Ministério de Minas e Energia. 

O encontro teve como objetivo discutir modelos de participação das comunidades indígenas em eventuais atividades de mineração em seus territórios, além de possíveis mecanismos de distribuição de resultados financeiros gerados pela exploração mineral. 

Direitos constitucionais em debate

A mineração em terras indígenas é um tema historicamente sensível no país. A Constituição de 1988 reconhece os direitos originários dos povos indígenas sobre seus territórios e estabelece que qualquer exploração mineral nessas áreas só pode ocorrer com autorização do Congresso Nacional, após consulta às comunidades afetadas e com participação nos resultados da atividade, mas muitas vezes isso não acontece. 

Lideranças indígenas e especialistas alertam que o debate precisa considerar os impactos históricos da mineração e do garimpo sobre os territórios indígenas. Experiências recentes demonstram que a atividade minerária pode provocar contaminação de rios por mercúrio, desmatamento, conflitos territoriais e até crises humanitárias, como ocorreu em regiões afetadas pelo garimpo ilegal na Amazônia.

Durante o debate, lideranças indígenas reforçaram que qualquer discussão sobre exploração mineral em territórios tradicionais deve respeitar o direito à consulta livre, prévia e informada, previsto na Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), além de garantir autonomia e autodeterminação aos povos indígenas.

Crédito: Divulgação/Polícia Federal

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