Iniciativa do Ministério dos Povos Indígenas reconhece 42 fotógrafos e comunicadores indígenas de 17 estados e destaca a autorrepresentação como política pública.
Uma cerimônia no Memorial dos Povos Indígenas marcou, na noite da ontem, a entrega da 1ª edição do Prêmio Mre Gavião: Fortalecimento da Comunicação Indígena, iniciativa do Ministério dos Povos Indígenas (MPI) que reconhece e promove narrativas visuais autorais produzidas por indígenas de todo o Brasil. O evento oficializou a premiação de 42 trabalhos fotográficos selecionados entre 168 inscrições de 45 povos indígenas de 17 estados.
A solenidade reuniu representantes da Mídia Indígena, como os coordenadores nacionais Erisvan Guajajara e Priscila Tapajowara, além do coordenador de projeto Hony Sobrinho, autoridades e familiares de Kumreiti Cardoso Kiné, o Mre Gavião, fotógrafo indígena falecido em 2024 e homenageado do concurso.
De acordo com o MPI, a iniciativa foi descrita como uma política pública de salvaguarda cultural que contribui para documentar a história e a diversidade dos povos originários a partir de um olhar interno, plural e autoral. “O Prêmio Mre Gavião é uma iniciativa inédita no Brasil para fotógrafos e fotógrafas indígenas. É um instrumento de luta, de valorização dos povos indígenas, de denúncia e de proteção, mas é também o que temos chamado de aldear o Estado”, disse a ministra do MPI, Sônia Guajajara, em publicação nas redes sociais.
Erisvan Guajajara, coordenador e um dos fundadores da Mídia Indígena, falou na cerimônia de premiação e destacou a trajetória do fotógrafo e ativista indígena. “Com sua beleza, sua sinceridade e sua câmera, Mre capturou a luta e a resistência de vários povos indígenas. Mre tinha um olhar sensível e imprimia sensibilidade em cada fotografia registrada por ele, seja no Acampamento Terra Livre ou nos territórios”, destacou.
O prêmio, com montante global de R$ 90 mil, distribuiu R$ 5 mil ao primeiro colocado de cada categoria, R$ 2 mil ao segundo e menções honrosas de R$ 1 mil do terceiro ao quinto lugar. As obras foram avaliadas por uma comissão considerando relevância temática, qualidade técnica, originalidade e força narrativa, além da capacidade de valorizar culturas, territórios e lutas indígenas.
Além da entrega de prêmios, o encontro homenageou a trajetória de Mre Gavião como um comunicador que, com imagens capturadas desde um celular no Acampamento Terra Livre, consolidou uma visão sensível das lutas e do cotidiano indígena. Familiares, líderes e comunicadores reforçaram a importância da fotografia como ferramenta de afirmação de identidade e memória.
Confira a lista de premiados por categorias
Fotografia Mobile (Celular)
1º — Otávio Junior Costa
2º — Willian Matos Braz
3º — Barbára Rehkayie Kaxuyana Inglez de Souza
Infâncias e Juventudes Indígenas
1º — Piratá Waurá
2º — Mayane Ramos dos Santos
3º — Yrerewa Braz de Oliveira Cunha
Inovação Visual e Experimentação Técnica
1º — Damião da Paz
2º — Sérgio Luis Rodrigues Silva
Jovens Comunicadores(as) — até 25 anos
1º — Wey Marques Tenente
2º — Ryan Guilherme Soares de Melo
3º — João Pedro Carqueija Nunes Tupinambá
Resistência e Defesa de Direitos
1º — Takumã Kuikuro
2º — Vitor Vulga dos Santos
3º — Sônia Maria Inácio Belfort Rocha
Retratos e Identidades
1º — Mayane Ramos dos Santos
2º — João Victor Silva Nascimento
3º — Jonatan Braz Cunha
Rituais, Jogos e Cosmovisão
1º — Junior Okario’i Tapirapé
2º — Piratá Waurá
3º — Iago Costa Silva
Territórios, Natureza e Sustentabilidade
1º — Damião da Paz
2º — Vherá Poty Benites da Silva
3º — Nadiely Vitória Matos Benites
Vida Cotidiana Indígena
1º — Piratá Waurá
2º — Juvenilson Burum Crixi
3º — Vherá Poty Benites da Silva