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Lúcia Alberta Baré assume presidência da Funai durante o ATL 2026 e anuncia novos atos administrativos

Posse ocorreu nesta sexta (10), em Brasília, com presença de lideranças indígenas e outras autoridades

Indígena do povo Baré e gestora ambiental, Lúcia Alberta Baré tomou posse nesta sexta-feira (10) como presidenta da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), durante a plenária principal do Acampamento Terra Livre 2026, em Brasília. A cerimônia reuniu lideranças indígenas de diferentes regiões do país, representantes da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) e autoridades do governo federal, como o ministro dos Povos Indígenas, Eloy Terena, a deputada federal Célia Xakriabá, a ex-ministra do Meio Ambiente Marina Silva, além da ex-ministra Sônia Guajajara e do líder indígena Raoni Metuktire.

A posse ocorreu no último dia do maior encontro indígena do país, que ao longo da semana mobilizou milhares de pessoas em torno de pautas como demarcação de terras, proteção territorial e fortalecimento de políticas públicas voltadas aos povos originários.

Durante a cerimônia, Baré assinou seus primeiros atos administrativos à frente da Funai. Entre as medidas, estão a criação de novos Grupos Técnicos para identificação e delimitação de terras indígenas, a constituição de uma reserva indígena, além da assinatura de portarias, relatórios técnicos e acordos de cooperação considerados estratégicos para o avanço de processos demarcatórios.

Com formação em Ciências Sociais e trajetória ligada à gestão territorial e ambiental, a nova presidenta já vinha exercendo a função de forma interina desde o início de abril, após ter sido anunciada para o cargo no fim de março. Sua efetivação ocorre em meio à pressão do movimento indígena por mais celeridade na demarcação de territórios e por respostas institucionais diante de ameaças como invasões e exploração predatória.

A nomeação de Baré reforça a presença indígena em cargos estratégicos do Estado brasileiro e dá continuidade a um processo recente de protagonismo institucional, iniciado com a gestão de lideranças originárias na política indigenista.

Durante o Acampamento Terra Livre, lideranças destacaram que o fortalecimento da Funai e a garantia dos territórios são centrais não apenas para os povos indígenas, mas também para a preservação ambiental e o enfrentamento da crise climática.

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