Idealizado pelo coletivo Zero e escrito por Carol Pires, curta com Alice Braga terá sessão especial em São Paulo e articula ficção e ativismo indígena
A disputa pela Amazônia, a crise climática e os direitos dos povos indígenas são o ponto de partida do curta Vitória Régia, que estreia em 14 de abril no YouTube e terá sessão especial em São Paulo. Protagonizado por Alice Braga, o filme usa a ficção para imaginar um Brasil em colapso político e ambiental, e, a partir disso, colocar em debate o futuro do território e da democracia.
O filme integra a campanha “A Resposta Somos Nós”, articulada pelo movimento indígena brasileiro. Idealizado pelo coletivo Zero, com roteiro de Carol Pires e Fábio Leal, direção de Denis Kamioka (Cisma) e produção da Vetor Zero, o projeto reúne diferentes frentes do audiovisual e do ativismo socioambiental.
No elenco, além de Alice Braga, estão nomes como Ywyzar Tentehar, Ayra Kopém, Marina Person, Caio Horowicz, Marat Descartes e Hodari, compondo uma narrativa que articula artistas e lideranças indígenas em cena. A produção é apresentada por organizações como a Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira, a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil e o G9 da Amazônia Indígena.
Ambientado em uma realidade paralela, o filme imagina um golpe de Estado no Brasil após as eleições de 2022, seguido da entrega da Amazônia aos Estados Unidos, rebatizada como “Amazon of America”. Nesse cenário, povos indígenas e comunidades quilombolas organizam uma resistência que atualiza uma luta ancestral pela preservação do território e da vida.
A narrativa acompanha uma jornalista investigativa, interpretada por Braga, que atravessa esse território em disputa para revelar ao mundo as consequências políticas, ambientais e sociais desse novo regime. Mais do que um exercício de imaginação, o filme opera como alegoria crítica do presente, evidenciando o embate entre modelos de desenvolvimento e os interesses que incidem sobre a floresta.
Para os realizadores e organizações envolvidas, Vitória Régia assume caráter de manifesto. Ao deslocar para o campo da ficção conflitos concretos — como a exploração predatória de recursos naturais e a violação de direitos territoriais —, a obra amplia o alcance das pautas indígenas e reafirma o protagonismo desses povos nas discussões globais sobre clima e futuro.
Nesse sentido, o filme não apenas narra uma distopia possível, mas convoca o público a refletir sobre escolhas políticas e seus desdobramentos. Entre cinema e intervenção, Vitória Régia inscreve a Amazônia não como cenário, mas como sujeito central de uma disputa que atravessa cultura, poder e sobrevivência.



