Advogado indígena e atual secretário-executivo da pasta, ele toma posse no dia 31, após a saída de Sonia Guajajara
O advogado indígena Eloy Terena deve assumir, na próxima sexta-feira, 31, o comando do Ministério dos Povos Indígenas. A indicação foi confirmada pela atual ministra Sonia Guajajara, que anunciou o nome de Terena como seu sucessor à frente da pasta.
Atual secretário-executivo, ele chega ao cargo com a perspectiva de dar continuidade às políticas de proteção territorial e fortalecimento dos direitos indígenas iniciadas em 2023. Em declaração enviada à Mídia Indígena, Terena destacou o peso simbólico e político da nova função, associando sua trajetória pessoal à ocupação de espaços institucionais por indígenas. “Eu recebo esse convite para assumir o Ministério dos Povos Indígenas com muita honra e muita responsabilidade. Sabemos que é um cargo de grande importância, mas também de enorme responsabilidade. Fui convidado pela ministra Sonia Guajajara para ser secretário-executivo e nomeado pelo presidente Lula. Desde então, temos trabalhado para estruturar o ministério, retomar as políticas de proteção aos povos indígenas e avançar na elaboração de políticas públicas”, declarou.
Na avaliação do futuro ministro, a nomeação também tem um significado pessoal e coletivo. “Recebo essa missão com muita responsabilidade e também com gratidão à ministra Sonia, pela confiança e pela indicação. Para mim, enquanto advogado indígena, isso representa não apenas uma realização profissional, mas também um marco pessoal”, disse.
Natural da Aldeia Ipegue, em Mato Grosso do Sul, no bioma Pantanal, Terena construiu sua trajetória entre o território indígena e o meio acadêmico. Formado em Direito pela Universidade Católica Dom Bosco (UCDB), foi beneficiário do Programa Universidade para Todos (ProUni) e seguiu carreira acadêmica com doutorados pela Universidade Federal Fluminense (UFF) e pelo Museu Nacional da UFRJ, além de pós-doutorado na França.
E essa trajetória de vida aparece como elemento central em sua fala. “Sou uma pessoa indígena que nasceu e estudou na aldeia, que foi para a cidade estudar por meio de políticas de cotas e ações afirmativas. Toda a minha trajetória foi construída com muito esforço, muitas vezes com apoio de bolsas”, destacou. Ele conta que a chegada ao cargo simboliza avanço, mas também continuidade na luta por direitos. “Chegar a este momento, ocupando um alto cargo na gestão pública, é um grande feito e uma grande realização profissional. Ao mesmo tempo, é uma oportunidade de continuar avançando na defesa dos direitos dos povos indígenas”, destacou.
Inspiração
Terena também destacou o caráter inspirador de sua trajetória para jovens indígenas. “A principal mensagem que eu gostaria de deixar é de inspiração. Faço parte de uma geração de jovens indígenas que, nas últimas décadas, trilhou o caminho da aldeia à universidade, por meio de ações afirmativas, percorrendo todas as instâncias acadêmicas”.
Segundo ele, a presença indígena em espaços institucionais não implica ruptura com a identidade. “Isso mostra que é possível ocupar esses espaços sem deixar de ser indígena, com força, dedicação e esforço, sempre com o apoio da família, da comunidade, das lideranças e do movimento indígena”.
“A mensagem que deixo é de superação diante dos entraves e das discriminações raciais que os povos indígenas enfrentam diariamente. Com perseverança e dedicação, é possível ocupar nossos espaços sem deixar de ser quem somos”. complementou
Colaborou com a matéria: Erisvan Guajajara




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