Demanda antiga do movimento indígena, projeto aprovado em comissão retoma reivindicações por ensino superior próprio e intercultural
A aprovação do projeto que cria a Universidade Federal Indígena na Comissão de Educação do Senado, nesta quarta-feira (15), marca o avanço institucional de uma pauta construída ao longo de décadas por lideranças e organizações indígenas no Brasil. A proposta é uma reivindicação histórica do movimento indígena por um modelo de ensino superior que dialogue com os territórios, as línguas e os modos de vida dos povos originários.
O texto prevê a criação de uma instituição pública com sede em Brasília e estrutura multicêntrica, com campi distribuídos em diferentes regiões do país. A ideia é atender à diversidade territorial e cultural das populações indígenas brasileiras, articulando ensino, pesquisa e extensão a partir das especificidades de cada povo. O projeto também prevê a realização de concursos públicos com critérios que garantam a participação de candidatos indígenas no corpo docente e técnico, além de diretrizes voltadas à valorização dos saberes tradicionais. A proposta inclui a produção de conhecimento científico e tecnológico ligado à gestão territorial, à preservação ambiental e às práticas culturais dos povos originários.
A aprovação na comissão representa mais um avanço na tramitação do projeto, que já havia passado pela Câmara dos Deputados em fevereiro. Caso seja aprovado pelo plenário do Senado, o texto segue para sanção presidencial.A proposta se insere em um conjunto de políticas públicas voltadas à educação indígena diferenciada, prevista na Constituição, e atende a uma demanda histórica dos movimentos indígenas por uma instituição que reconheça e integre seus conhecimentos, línguas e modos de vida ao ambiente universitário.