Iniciativa promovida pelo Coletivo Tybyra reúne lideranças indígenas LGBTQIA+ para fortalecer articulação política, defesa dos territórios e enfrentamento das desigualdades socioambientais.
Teve início no último domingo (9), em Belo Horizonte, a Formação em Direitos Humanos, Justiça Climática e Incidência Política para Indígenas LGBTQIA+, que segue até esta terça-feira (11), na sede da CELLOS MG. Hoje acontece o segundo dia da atividade, que reúne lideranças indígenas de diferentes territórios para debates, oficinas e painéis voltados à defesa de direitos, enfrentamento das mudanças climáticas e fortalecimento da articulação política.
A formação tem como objetivo capacitar indígenas LGBTQIA+ para a atuação em espaços de decisão política e em seus territórios, a partir de uma perspectiva que integra direitos humanos, justiça climática e igualdade de gênero. A iniciativa busca ainda fortalecer redes entre o movimento indígena e outros movimentos sociais, ampliando a incidência política em níveis local, nacional e internacional.
Coordenador do Coletivo Tybyra e da Mídia Indígena, Erisvan Guajajara afirma que a criação da formação responde a um cenário de exclusão histórica e vulnerabilização das pessoas indígenas LGBTQIA+, agravado pelos impactos das crises climáticas sobre seus territórios e modos de vida.
“A principal urgência que motivou essa formação é a vulnerabilidade e a exclusão que as pessoas indígenas LGBTQIA+ enfrentam, especialmente quando falamos de justiça climática e direitos humanos. As mudanças climáticas atingem de forma desproporcional nossas comunidades, que já vivem em contextos de violações de direitos. Essa formação surge para capacitar lideranças, fortalecer a luta coletiva e criar estratégias para combater essas desigualdades, promovendo igualdade, proteção dos territórios e defesa da vida”, afirma Erisvan Guajajara.
Segundo o coordenador, a proposta do encontro é evidenciar que direitos humanos e justiça climática são pautas indissociáveis na realidade das lideranças indígenas LGBTQIA+. “Quando um território é atacado, quando a floresta é destruída ou quando um rio é contaminado, os impactos recaem diretamente sobre os corpos indígenas. Para pessoas LGBTQIA+, que já sofrem discriminação e violência, essas consequências são ainda mais duras”, explica.
Na prática, Erisvan destaca que a formação busca gerar efeitos concretos nos territórios, como o fortalecimento da auto-organização comunitária, a criação e o fortalecimento de coletivos indígenas LGBTQIA+, o desenvolvimento de ações locais de sustentabilidade e preservação ambiental e a ampliação da visibilidade das demandas específicas dessa população. Outro ponto central é a construção de estratégias coletivas de financiamento, fundamentais para garantir autonomia e continuidade das ações.
O Coletivo Tybyra, de acordo com o coordenador, atua como uma ponte entre o movimento indígena e a pauta LGBTQIA+, articulando parcerias com organizações indígenas e outros movimentos sociais. “Nossa luta é coletiva. Combatemos qualquer tipo de violência que fere a vida dos povos indígenas. Entendemos os corpos como territórios, e defender esses corpos é também defender a terra, a floresta e o direito de existir”, afirma.
A formação conta com apoio de emenda parlamentar da deputada federal Célia Xakriabá, além do apoio do Distrito Drag. As atividades seguem até esta terça-feira (11), reunindo indígenas LGBTQIA+ em um espaço de troca de experiências, fortalecimento político e construção de estratégias de resistência frente às desigualdades sociais e ambientais.