Iniciativa do Ministério dos Povos Indígenas, em parceria com instituto federal, prevê formação técnica, fomento produtivo e apoio direto a povos indígenas da região
O Ministério dos Povos Indígenas (MPI) e o Instituto Federal do Sertão Pernambucano (IFSertãoPE) lançaram, na última quarta-feira, 4, um projeto voltado ao fortalecimento da sociobioeconomia indígena no Nordeste brasileiro. A assinatura do termo de execução descentralizada, no valor de R$ 9.392.700, aconteceu de forma simbólica nas Terras Indígenas Truká, em Cabrobó (PE), e Tuxá, em Rodelas (BA).
A iniciativa beneficiará cinco povos tradicionais da região, Truká e Xukuru (Pernambuco), Tuxá (Bahia), Tingui-Botó (Alagoas) e Atikum (Pernambuco), com ações estruturadas em dois eixos principais: capacitação técnica e fomento produtivo.
No âmbito da formação profissional, o IFSertãoPE oferecerá cursos de 160 horas, com conteúdos definidos pelas próprias comunidades. Entre os temas estão apicultura, piscicultura, fruticultura, avicultura e associativismo, além de outros ligados às atividades econômicas tradicionais. Ao todo, 200 alunos participarão dessa etapa e receberão auxílio financeiro durante os seis meses de formação.
Além da capacitação, o projeto prevê a aquisição de insumos, equipamentos e maquinário agrícola de pequeno e médio porte para ampliar e melhorar a produção já existente nas aldeias. Também estão previstos recursos específicos para a construção de uma central de beneficiamento de mel para os Atikum.
A previsão é que a próxima fase do projeto seja lançada ainda em fevereiro nos territórios dos povos Tingui-Botó e Xukuru do Ororubá. A ação busca aprimorar as atividades produtivas diretamente nos territórios indígenas, promovendo a autonomia econômica, a sustentabilidade e a gestão comunitária dos empreendimentos sociobioeconômicos.
Analistas e organizações que atuam na área apontam a importância de políticas públicas que integrem biodiversidade, fortalecimento territorial e desenvolvimento econômico sustentável, alinhadas a agendas maiores da bioeconomia nacional e internacional, como reforçado em discussões recentes na COP30 sobre sociobioeconomia.
Este projeto representa uma tentativa concreta de articular formação, tecnologia social e apoio produtivo para etnias indígenas no Nordeste, respondendo a demandas históricas por autonomia e reconhecimento de seus modos de vida e de produção.